Acredito que talvez a justiça seja prática
Esboçada no esforço sistemático de cada um
Resultando apenas para os que vivem no padrão
Mas qual é o termo certo para esta justiça
Aquela que fecha os olhos à diversidade
Que regue a sua missa, a sua honestidade
Sobrepondo as suas ideias em contradição
De facto, à medida que vivemos, progredindo
Reparamos nos seus pequenos defeitos que nos afectam
Evoluindo, sempre à espreita do erro que justifique
A injustiça, não a justiça, para os que pecam
Mas o que torna eticamente errado o acto
O que prova uma conclusão, um desfecho negativo
Senão a linguagem humana, adaptada
Recriada aquando do momento decisivo
Por vezes sentimos um cru desespero
Caindo na busca perdida pelo chão
Acreditando na perseverança e não no medo
E na luta, que será da queda o nosso colchão
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
O Último Som do Rio
Ele sente o afluente frio
Do rio que lhe corre aos pés
Movendo-se sistematicamente, em marés
Nasceu aqui e nada mais conhece
Se não o movimento padrão do milho ao vento
O eco celeste da voz no prado
Que se propaga ondulante no momento
Da mais comum despedida
Procura nas árvores o sentimento
O medo de perder os ramos da sua criança
Sobre tantos deles se perdeu do tempo
E agora, sobre eles, perde a esperança
De os rever mais uma vez
Talvez dos olhos lhe fuja a mágoa
A melancolia crua ao ver o céu
Chamando as núvens uma a uma
Para que delas leve uma recordação
Um magro pedaço de anjo, no coração
As mãos percorrem os muros
Conhecem-nos desde muito novas
Até os mais pequenos relevos sujos
Sobreviventes à erosão
No fim do seu trilho, inerte
Quebrado pelos vasto adeus
Tocam-se os olhos, em vão
E chama um nome tremendo
O nome do velho cão
Fechou o portão atrás de si
Um dia talvez volte repleto de coragem
Mas sabendo que as memórias se perderam
Que naquele rio, na margem
Jaz esquecida a sua infância
Do rio que lhe corre aos pés
Movendo-se sistematicamente, em marés
Nasceu aqui e nada mais conhece
Se não o movimento padrão do milho ao vento
O eco celeste da voz no prado
Que se propaga ondulante no momento
Da mais comum despedida
Procura nas árvores o sentimento
O medo de perder os ramos da sua criança
Sobre tantos deles se perdeu do tempo
E agora, sobre eles, perde a esperança
De os rever mais uma vez
Talvez dos olhos lhe fuja a mágoa
A melancolia crua ao ver o céu
Chamando as núvens uma a uma
Para que delas leve uma recordação
Um magro pedaço de anjo, no coração
As mãos percorrem os muros
Conhecem-nos desde muito novas
Até os mais pequenos relevos sujos
Sobreviventes à erosão
No fim do seu trilho, inerte
Quebrado pelos vasto adeus
Tocam-se os olhos, em vão
E chama um nome tremendo
O nome do velho cão
Fechou o portão atrás de si
Um dia talvez volte repleto de coragem
Mas sabendo que as memórias se perderam
Que naquele rio, na margem
Jaz esquecida a sua infância
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Canto do Lobo
Os lobos vivem separados de suas almas
Como verdadeiros predadores astutos
Que percorrem o campo gelado
Levando da caça os seus lucros
Uivam, rosnando ao céu estrelado
Da fria neve, em matilha*
Ouvindo o eco agregado
Que sara a fresca ferida
Mas no fundo os lobos são seres isolados
Que vivem em conjunto, para não perder
O fio da vida, da sobrevivência
Uma alma gélida em efervescência
Que procura prevalecer
As suas patas carregam um coração de pedra
E um lobo pode nunca encontrar qualquer conforto
Pois este é o canto do navegador solitário
Que rema um barco morto...
*(Um conjunto de lobos é uma alcateia, apenas optei por matilha devido a questões frásicas e de métrica)
Como verdadeiros predadores astutos
Que percorrem o campo gelado
Levando da caça os seus lucros
Uivam, rosnando ao céu estrelado
Da fria neve, em matilha*
Ouvindo o eco agregado
Que sara a fresca ferida
Mas no fundo os lobos são seres isolados
Que vivem em conjunto, para não perder
O fio da vida, da sobrevivência
Uma alma gélida em efervescência
Que procura prevalecer
As suas patas carregam um coração de pedra
E um lobo pode nunca encontrar qualquer conforto
Pois este é o canto do navegador solitário
Que rema um barco morto...
*(Um conjunto de lobos é uma alcateia, apenas optei por matilha devido a questões frásicas e de métrica)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Ela foi o Sol, Ele será a Noite
Toda a noite, caminhando
Sobre a sombra da lua
Ele foge do medo
Que se esconde por entre a rua
Sintindo o seu corpo
Magoado e mentiroso
Olha apenas o chão
Escondendo o rosto
Ele sabe apenas a sua história
Um conto, desepero e amargura
Quanto menos se alimenta o fogo
Menos o amor dura
Mas ele sorri de cara pálida
Corroído e caçado
Enquanto o sangue lhe foge
Do coração despedaçado
Sete vezes ela o pisou
Sete, mortal pecado
Ela vive hoje no presente
E ele, para sempre, no passado
Sobre a sombra da lua
Ele foge do medo
Que se esconde por entre a rua
Sintindo o seu corpo
Magoado e mentiroso
Olha apenas o chão
Escondendo o rosto
Ele sabe apenas a sua história
Um conto, desepero e amargura
Quanto menos se alimenta o fogo
Menos o amor dura
Mas ele sorri de cara pálida
Corroído e caçado
Enquanto o sangue lhe foge
Do coração despedaçado
Sete vezes ela o pisou
Sete, mortal pecado
Ela vive hoje no presente
E ele, para sempre, no passado
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
O Homem Rei
E se não nos sobrasse tempo
Se nos fugisse o toque aos dedos
Se nos tremessem os pés ao andar
E se os invernos viessem mais frios
Se aumentasse a estrada e os caminhos
Se os dias perdessem o horizonte
E se respirar fosse quase impossível
Se os rios deixassem de correr firmemente
Se o medo nos cobrisse plenamente
Seriamos o rosto da miséria
Os filhos pródigos do desespero
Vozes roucas gritando
Sem que uma única mão se estendesse
Um dia, breve, seremos assim
Esperando, sentados, o nosso fim
Destruindo na esperança de vencer
Até que a vida não saiba mais o que é viver
Se nos fugisse o toque aos dedos
Se nos tremessem os pés ao andar
E se os invernos viessem mais frios
Se aumentasse a estrada e os caminhos
Se os dias perdessem o horizonte
E se respirar fosse quase impossível
Se os rios deixassem de correr firmemente
Se o medo nos cobrisse plenamente
Seriamos o rosto da miséria
Os filhos pródigos do desespero
Vozes roucas gritando
Sem que uma única mão se estendesse
Um dia, breve, seremos assim
Esperando, sentados, o nosso fim
Destruindo na esperança de vencer
Até que a vida não saiba mais o que é viver
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Sou Cavaleiro
Eu sou o teu cavaleiro
Aquele que monta nas guerras do Além
Sobre as bandeiras do povo e do rei
Tirando a espada do seu descanso
Vi já corpos nos campos frios
Corpos na água, degradados
Boiando no vazio
Sem luz que os leve a casa
Sem a luz dos seus amados
Sou apenas um mero soldado
Que carrega o seu escudo
Ouvindo o grito da morte
Um grito só e mudo
Tive até nas mãos o sangue
De irmão e inimigo
Aquele que na busca do perigo
Deu os seus últimos passos
Sim, sou apenas um
Porque mais ninguém sobrou
Agora durmo nos teus braços
Nos braços de quem sempre me amou
Aquele que monta nas guerras do Além
Sobre as bandeiras do povo e do rei
Tirando a espada do seu descanso
Vi já corpos nos campos frios
Corpos na água, degradados
Boiando no vazio
Sem luz que os leve a casa
Sem a luz dos seus amados
Sou apenas um mero soldado
Que carrega o seu escudo
Ouvindo o grito da morte
Um grito só e mudo
Tive até nas mãos o sangue
De irmão e inimigo
Aquele que na busca do perigo
Deu os seus últimos passos
Sim, sou apenas um
Porque mais ninguém sobrou
Agora durmo nos teus braços
Nos braços de quem sempre me amou
Errar/Amar
A redenção é possível para quem a entende
Para quem a procura, incessante
Acreditando, veemente
Que a redenção o levante
Mas o que é de facto errar
O que é perder o norte
É lamber o sal do mar
É sentir o vento forte
No entanto, quem ama alcança
Quando a alma tem valor
O amor é o som de uma dança
Quando a dança é amor...
Para quem a procura, incessante
Acreditando, veemente
Que a redenção o levante
Mas o que é de facto errar
O que é perder o norte
É lamber o sal do mar
É sentir o vento forte
No entanto, quem ama alcança
Quando a alma tem valor
O amor é o som de uma dança
Quando a dança é amor...
A Pequenez
Serás esquecido no dia em que morreres
Deixando para trás um tempo eterno, vazio
O tempo em que pouco mais fizeste do que respirar
De ti, sobrará apenas um terreno baldio
Pensas que farás grandes obras com a tua pobreza,
De espírito, aquele que trazes ao peito como um peso
Enganas-te, porque nem a anatomia do pensar conheces
E para ti, a vida guarda apenas desprezo
Mas acredito que um dia te vais levantar
Para veres o mundo da tua torre alada
E talvez nessa altura perceberás
Que foste feito para ser menos do que nada
Deixando para trás um tempo eterno, vazio
O tempo em que pouco mais fizeste do que respirar
De ti, sobrará apenas um terreno baldio
Pensas que farás grandes obras com a tua pobreza,
De espírito, aquele que trazes ao peito como um peso
Enganas-te, porque nem a anatomia do pensar conheces
E para ti, a vida guarda apenas desprezo
Mas acredito que um dia te vais levantar
Para veres o mundo da tua torre alada
E talvez nessa altura perceberás
Que foste feito para ser menos do que nada
Subscrever:
Mensagens (Atom)