Acordou seco de vida...
Acordou seco para a vida...
Mas vestiu o corpo que não sentia
A historia já não se lia mais nas páginas
Ele, seguia as ruas
E virava nas curvas
Sombra do pó dos ossos velhos
O pó intoxicante da miséria
O pó que queima sem nunca cessar
Estava sozinho no beco, no mundo
Onde só o seu respirar profundo, se ouvia
Preso às quatro paredes de uma cria
Abandonada pela sua mãe esguia:
-A determinação de ser alguém
E foi assim que se olhou ao longe, no rio
Debaixo de si, debaixo de uma figura de nada
Um fantasma de sóbria dor
A ponte tremendo, e os seus pés firmes
Foi assim, até nada mais ser
A história já não se lia mais nas páginas
Acabada pelo desistir de um fogo
Mísero, velho, esquartejado
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Ser; Eu
Não esqueças que és uma luz
Num mundo de segredos escondidos
Por corações encriptados na noção frágil
Do que é realmente a sua vontade
Sabes que és forte e que consegues
Que as tuas pernas acreditam em ti
Que o teu cerne é a tua estátua
E sabes que as palavras são cruas
Na boca de quem esquece o que é ferir
Os dias são ciclos de melhores ou piores rotinas
Talvez até já tenhas notado nas direcções do vento
Inconstante na sua inconsistência de nos empurrar
Por vezes até nos querendo derrubar, como figuras fracas
Soturnos como janelas baças
Serás sempre assim
Imortal em ti mesmo, invencível
O peso de ouro no coração
Firme, incorruptível
Num mundo de segredos escondidos
Por corações encriptados na noção frágil
Do que é realmente a sua vontade
Sabes que és forte e que consegues
Que as tuas pernas acreditam em ti
Que o teu cerne é a tua estátua
E sabes que as palavras são cruas
Na boca de quem esquece o que é ferir
Os dias são ciclos de melhores ou piores rotinas
Talvez até já tenhas notado nas direcções do vento
Inconstante na sua inconsistência de nos empurrar
Por vezes até nos querendo derrubar, como figuras fracas
Soturnos como janelas baças
Serás sempre assim
Imortal em ti mesmo, invencível
O peso de ouro no coração
Firme, incorruptível
sábado, 15 de setembro de 2012
Persona
Qual vida é vida sem influência
Sem a aprendizagem crua dos sentimentos
Presa na pele como rebentos
Do que nós somos
Na inútil vida, dádiva curta
Esculpimos em terra a nossa estátua
A persona que nos mascara consistentemente
'Somos o que queremos'
Nada somos sem sermos tudo
E nada ficamos a ser
Por tudo ser inalcansável
Por tudo o que somos
Não ser tudo, mas sim pouco
Vago, insípido...
Teu Olhar
O teu mundo é um frasco
Fechado por cem tampas
De mármore negro
O teu mundo é um frasco
O vácuo sem nome
Plastificado na tua pele
O teu mundo é um frasco
Um casúlo severo
Sem vontade de eclodir
O teu mundo é um frasco
De vidro baço
Onde vês os outros mundos
Sem compreender e sem amar
Retrato falhado
Distorcido pelo teu olhar
Fechado por cem tampas
De mármore negro
O teu mundo é um frasco
O vácuo sem nome
Plastificado na tua pele
O teu mundo é um frasco
Um casúlo severo
Sem vontade de eclodir
O teu mundo é um frasco
De vidro baço
Onde vês os outros mundos
Sem compreender e sem amar
Retrato falhado
Distorcido pelo teu olhar
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A Calçada
Pedras da calçada onde nos vemos
Pisando-as todos os dias
Crendo-as inquebráveis
Elas não são mais do que uma simples ilusão,
Uma demonstração do que somos
A estrada não segue sempre em frente
Por mais que queiramos, enquanto em sinuosas curvas,
Sentimos a vertigem do medo
Perdurando entre as paredes do coração
E talvez aí, numa reflexão
Interiorizando a nossa má sorte ali tão perto
Acreditamos que as pedras da calçada
Se estilhaçam no tempo
Verdade pura e sincera
O que acreditamos é diminuto
Mentindo-nos a cada minuto
A cada segundo que se passa entre dedos
Como nos passamos sobre aquele passeio
Onde nunca soubemos o que era a queda
Tudo se quebra, tudo se desfaz
Até os alicerces do mar
Até a nossa vontade impulsiva, impensada
Nunca nos deixando alimentar da ganância
Sem que ela nos devore para sermos nada...
Pisando-as todos os dias
Crendo-as inquebráveis
Elas não são mais do que uma simples ilusão,
Uma demonstração do que somos
A estrada não segue sempre em frente
Por mais que queiramos, enquanto em sinuosas curvas,
Sentimos a vertigem do medo
Perdurando entre as paredes do coração
E talvez aí, numa reflexão
Interiorizando a nossa má sorte ali tão perto
Acreditamos que as pedras da calçada
Se estilhaçam no tempo
Verdade pura e sincera
O que acreditamos é diminuto
Mentindo-nos a cada minuto
A cada segundo que se passa entre dedos
Como nos passamos sobre aquele passeio
Onde nunca soubemos o que era a queda
Tudo se quebra, tudo se desfaz
Até os alicerces do mar
Até a nossa vontade impulsiva, impensada
Nunca nos deixando alimentar da ganância
Sem que ela nos devore para sermos nada...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Às Portas do Paraíso
Seguindo os fios do céu
Marcando passo sobre o estrelado céu fluente
Montanhas pintadas de leve branco
Algumas sorrindo ao sol poente
São poucas as luzes que vêem os homens das alturas
Constelações encadeadas pelos rios de luz,
Desvanecendo,
Homens, que em filas nuas percorrem a frescura
Da terra, eterna como o tempo
São mil, os milhões que aqui se perdem
Desconhecendo, mas sabendo o sabor de sonhar
Olham os fundos amargos escuros
Negros, que lhes chamam o olhar,
O nome com voz leve, imensa
Condenados da sua escolha
Esquecem do medo o intelecto
E andam para um trilho sem tecto
De onde nunca poderão voltar
Os restantes, os sóbrios de não pensar
Seguindo o suave sentido da melodia
Que roda no coração e toca em toda a plenitude
Já nem da sensação de altitude
Percebem que não são mais do que velhas almas
Cansadas da vida lúcida e carnal
Onde dos séculos, cada um se tornou imaterial
O passado deixa de existir
Os portões abrem-se num eclodir luminoso
São magros os compassos e contratempos
Absorvidas as almas e sugados os momentos
Fatal sonho de morrer
Sobre o paraíso, dormem na nobreza de nascer
Para sempre...
Marcando passo sobre o estrelado céu fluente
Montanhas pintadas de leve branco
Algumas sorrindo ao sol poente
São poucas as luzes que vêem os homens das alturas
Constelações encadeadas pelos rios de luz,
Desvanecendo,
Homens, que em filas nuas percorrem a frescura
Da terra, eterna como o tempo
São mil, os milhões que aqui se perdem
Desconhecendo, mas sabendo o sabor de sonhar
Olham os fundos amargos escuros
Negros, que lhes chamam o olhar,
O nome com voz leve, imensa
Condenados da sua escolha
Esquecem do medo o intelecto
E andam para um trilho sem tecto
De onde nunca poderão voltar
Os restantes, os sóbrios de não pensar
Seguindo o suave sentido da melodia
Que roda no coração e toca em toda a plenitude
Já nem da sensação de altitude
Percebem que não são mais do que velhas almas
Cansadas da vida lúcida e carnal
Onde dos séculos, cada um se tornou imaterial
O passado deixa de existir
Os portões abrem-se num eclodir luminoso
São magros os compassos e contratempos
Absorvidas as almas e sugados os momentos
Fatal sonho de morrer
Sobre o paraíso, dormem na nobreza de nascer
Para sempre...
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Justiça: Reflexão
Acredito que talvez a justiça seja prática
Esboçada no esforço sistemático de cada um
Resultando apenas para os que vivem no padrão
Mas qual é o termo certo para esta justiça
Aquela que fecha os olhos à diversidade
Que regue a sua missa, a sua honestidade
Sobrepondo as suas ideias em contradição
De facto, à medida que vivemos, progredindo
Reparamos nos seus pequenos defeitos que nos afectam
Evoluindo, sempre à espreita do erro que justifique
A injustiça, não a justiça, para os que pecam
Mas o que torna eticamente errado o acto
O que prova uma conclusão, um desfecho negativo
Senão a linguagem humana, adaptada
Recriada aquando do momento decisivo
Por vezes sentimos um cru desespero
Caindo na busca perdida pelo chão
Acreditando na perseverança e não no medo
E na luta, que será da queda o nosso colchão
Esboçada no esforço sistemático de cada um
Resultando apenas para os que vivem no padrão
Mas qual é o termo certo para esta justiça
Aquela que fecha os olhos à diversidade
Que regue a sua missa, a sua honestidade
Sobrepondo as suas ideias em contradição
De facto, à medida que vivemos, progredindo
Reparamos nos seus pequenos defeitos que nos afectam
Evoluindo, sempre à espreita do erro que justifique
A injustiça, não a justiça, para os que pecam
Mas o que torna eticamente errado o acto
O que prova uma conclusão, um desfecho negativo
Senão a linguagem humana, adaptada
Recriada aquando do momento decisivo
Por vezes sentimos um cru desespero
Caindo na busca perdida pelo chão
Acreditando na perseverança e não no medo
E na luta, que será da queda o nosso colchão
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
O Último Som do Rio
Ele sente o afluente frio
Do rio que lhe corre aos pés
Movendo-se sistematicamente, em marés
Nasceu aqui e nada mais conhece
Se não o movimento padrão do milho ao vento
O eco celeste da voz no prado
Que se propaga ondulante no momento
Da mais comum despedida
Procura nas árvores o sentimento
O medo de perder os ramos da sua criança
Sobre tantos deles se perdeu do tempo
E agora, sobre eles, perde a esperança
De os rever mais uma vez
Talvez dos olhos lhe fuja a mágoa
A melancolia crua ao ver o céu
Chamando as núvens uma a uma
Para que delas leve uma recordação
Um magro pedaço de anjo, no coração
As mãos percorrem os muros
Conhecem-nos desde muito novas
Até os mais pequenos relevos sujos
Sobreviventes à erosão
No fim do seu trilho, inerte
Quebrado pelos vasto adeus
Tocam-se os olhos, em vão
E chama um nome tremendo
O nome do velho cão
Fechou o portão atrás de si
Um dia talvez volte repleto de coragem
Mas sabendo que as memórias se perderam
Que naquele rio, na margem
Jaz esquecida a sua infância
Do rio que lhe corre aos pés
Movendo-se sistematicamente, em marés
Nasceu aqui e nada mais conhece
Se não o movimento padrão do milho ao vento
O eco celeste da voz no prado
Que se propaga ondulante no momento
Da mais comum despedida
Procura nas árvores o sentimento
O medo de perder os ramos da sua criança
Sobre tantos deles se perdeu do tempo
E agora, sobre eles, perde a esperança
De os rever mais uma vez
Talvez dos olhos lhe fuja a mágoa
A melancolia crua ao ver o céu
Chamando as núvens uma a uma
Para que delas leve uma recordação
Um magro pedaço de anjo, no coração
As mãos percorrem os muros
Conhecem-nos desde muito novas
Até os mais pequenos relevos sujos
Sobreviventes à erosão
No fim do seu trilho, inerte
Quebrado pelos vasto adeus
Tocam-se os olhos, em vão
E chama um nome tremendo
O nome do velho cão
Fechou o portão atrás de si
Um dia talvez volte repleto de coragem
Mas sabendo que as memórias se perderam
Que naquele rio, na margem
Jaz esquecida a sua infância
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Canto do Lobo
Os lobos vivem separados de suas almas
Como verdadeiros predadores astutos
Que percorrem o campo gelado
Levando da caça os seus lucros
Uivam, rosnando ao céu estrelado
Da fria neve, em matilha*
Ouvindo o eco agregado
Que sara a fresca ferida
Mas no fundo os lobos são seres isolados
Que vivem em conjunto, para não perder
O fio da vida, da sobrevivência
Uma alma gélida em efervescência
Que procura prevalecer
As suas patas carregam um coração de pedra
E um lobo pode nunca encontrar qualquer conforto
Pois este é o canto do navegador solitário
Que rema um barco morto...
*(Um conjunto de lobos é uma alcateia, apenas optei por matilha devido a questões frásicas e de métrica)
Como verdadeiros predadores astutos
Que percorrem o campo gelado
Levando da caça os seus lucros
Uivam, rosnando ao céu estrelado
Da fria neve, em matilha*
Ouvindo o eco agregado
Que sara a fresca ferida
Mas no fundo os lobos são seres isolados
Que vivem em conjunto, para não perder
O fio da vida, da sobrevivência
Uma alma gélida em efervescência
Que procura prevalecer
As suas patas carregam um coração de pedra
E um lobo pode nunca encontrar qualquer conforto
Pois este é o canto do navegador solitário
Que rema um barco morto...
*(Um conjunto de lobos é uma alcateia, apenas optei por matilha devido a questões frásicas e de métrica)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Ela foi o Sol, Ele será a Noite
Toda a noite, caminhando
Sobre a sombra da lua
Ele foge do medo
Que se esconde por entre a rua
Sintindo o seu corpo
Magoado e mentiroso
Olha apenas o chão
Escondendo o rosto
Ele sabe apenas a sua história
Um conto, desepero e amargura
Quanto menos se alimenta o fogo
Menos o amor dura
Mas ele sorri de cara pálida
Corroído e caçado
Enquanto o sangue lhe foge
Do coração despedaçado
Sete vezes ela o pisou
Sete, mortal pecado
Ela vive hoje no presente
E ele, para sempre, no passado
Sobre a sombra da lua
Ele foge do medo
Que se esconde por entre a rua
Sintindo o seu corpo
Magoado e mentiroso
Olha apenas o chão
Escondendo o rosto
Ele sabe apenas a sua história
Um conto, desepero e amargura
Quanto menos se alimenta o fogo
Menos o amor dura
Mas ele sorri de cara pálida
Corroído e caçado
Enquanto o sangue lhe foge
Do coração despedaçado
Sete vezes ela o pisou
Sete, mortal pecado
Ela vive hoje no presente
E ele, para sempre, no passado
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
O Homem Rei
E se não nos sobrasse tempo
Se nos fugisse o toque aos dedos
Se nos tremessem os pés ao andar
E se os invernos viessem mais frios
Se aumentasse a estrada e os caminhos
Se os dias perdessem o horizonte
E se respirar fosse quase impossível
Se os rios deixassem de correr firmemente
Se o medo nos cobrisse plenamente
Seriamos o rosto da miséria
Os filhos pródigos do desespero
Vozes roucas gritando
Sem que uma única mão se estendesse
Um dia, breve, seremos assim
Esperando, sentados, o nosso fim
Destruindo na esperança de vencer
Até que a vida não saiba mais o que é viver
Se nos fugisse o toque aos dedos
Se nos tremessem os pés ao andar
E se os invernos viessem mais frios
Se aumentasse a estrada e os caminhos
Se os dias perdessem o horizonte
E se respirar fosse quase impossível
Se os rios deixassem de correr firmemente
Se o medo nos cobrisse plenamente
Seriamos o rosto da miséria
Os filhos pródigos do desespero
Vozes roucas gritando
Sem que uma única mão se estendesse
Um dia, breve, seremos assim
Esperando, sentados, o nosso fim
Destruindo na esperança de vencer
Até que a vida não saiba mais o que é viver
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Sou Cavaleiro
Eu sou o teu cavaleiro
Aquele que monta nas guerras do Além
Sobre as bandeiras do povo e do rei
Tirando a espada do seu descanso
Vi já corpos nos campos frios
Corpos na água, degradados
Boiando no vazio
Sem luz que os leve a casa
Sem a luz dos seus amados
Sou apenas um mero soldado
Que carrega o seu escudo
Ouvindo o grito da morte
Um grito só e mudo
Tive até nas mãos o sangue
De irmão e inimigo
Aquele que na busca do perigo
Deu os seus últimos passos
Sim, sou apenas um
Porque mais ninguém sobrou
Agora durmo nos teus braços
Nos braços de quem sempre me amou
Aquele que monta nas guerras do Além
Sobre as bandeiras do povo e do rei
Tirando a espada do seu descanso
Vi já corpos nos campos frios
Corpos na água, degradados
Boiando no vazio
Sem luz que os leve a casa
Sem a luz dos seus amados
Sou apenas um mero soldado
Que carrega o seu escudo
Ouvindo o grito da morte
Um grito só e mudo
Tive até nas mãos o sangue
De irmão e inimigo
Aquele que na busca do perigo
Deu os seus últimos passos
Sim, sou apenas um
Porque mais ninguém sobrou
Agora durmo nos teus braços
Nos braços de quem sempre me amou
Errar/Amar
A redenção é possível para quem a entende
Para quem a procura, incessante
Acreditando, veemente
Que a redenção o levante
Mas o que é de facto errar
O que é perder o norte
É lamber o sal do mar
É sentir o vento forte
No entanto, quem ama alcança
Quando a alma tem valor
O amor é o som de uma dança
Quando a dança é amor...
Para quem a procura, incessante
Acreditando, veemente
Que a redenção o levante
Mas o que é de facto errar
O que é perder o norte
É lamber o sal do mar
É sentir o vento forte
No entanto, quem ama alcança
Quando a alma tem valor
O amor é o som de uma dança
Quando a dança é amor...
A Pequenez
Serás esquecido no dia em que morreres
Deixando para trás um tempo eterno, vazio
O tempo em que pouco mais fizeste do que respirar
De ti, sobrará apenas um terreno baldio
Pensas que farás grandes obras com a tua pobreza,
De espírito, aquele que trazes ao peito como um peso
Enganas-te, porque nem a anatomia do pensar conheces
E para ti, a vida guarda apenas desprezo
Mas acredito que um dia te vais levantar
Para veres o mundo da tua torre alada
E talvez nessa altura perceberás
Que foste feito para ser menos do que nada
Deixando para trás um tempo eterno, vazio
O tempo em que pouco mais fizeste do que respirar
De ti, sobrará apenas um terreno baldio
Pensas que farás grandes obras com a tua pobreza,
De espírito, aquele que trazes ao peito como um peso
Enganas-te, porque nem a anatomia do pensar conheces
E para ti, a vida guarda apenas desprezo
Mas acredito que um dia te vais levantar
Para veres o mundo da tua torre alada
E talvez nessa altura perceberás
Que foste feito para ser menos do que nada
Lixo & Ruído
Afastem-se de mim,
Vocês não pensam, não interessam
E prefiro nem ver-vos a saber que existem
Não compreendo como é possível
Dar vida a tanta podridão
Os vossos pés já nem marcam o chão
E a vossa cara não merece ser lembrada
Por isso não falem, cessem o ruído
Porque a vossa voz é apenas barulho
Uma espécie de entulho
De toda a desordem de que são feitos
Infelizmente, vocês são
Mas para mim é como se não fossem
Como se não estivessem aqui
Neste pequeno espaço que é a Vida
Onde o valor é a coroa que trago na cabeça
Vocês não pensam, não interessam
E prefiro nem ver-vos a saber que existem
Não compreendo como é possível
Dar vida a tanta podridão
Os vossos pés já nem marcam o chão
E a vossa cara não merece ser lembrada
Por isso não falem, cessem o ruído
Porque a vossa voz é apenas barulho
Uma espécie de entulho
De toda a desordem de que são feitos
Infelizmente, vocês são
Mas para mim é como se não fossem
Como se não estivessem aqui
Neste pequeno espaço que é a Vida
Onde o valor é a coroa que trago na cabeça
sábado, 22 de outubro de 2011
Anjo
Faz chover sobre mim toda a tua perfeição
Por entre o sol que te ilumina
Deixa-me acreditar que te consigo agarrar
Que consigo também voar
Nesse branco mar de harmonia
Sacrifica as tuas asas por mim
Serás mais do que anjo, serás deusa
Rainha de um oceano sem fim
Rainha de toda a tua pureza
Sei que me vês aí de cima, ínfimo
Mas não me deixas fugir ao teu olhar
E estendo a minha mão na esperança
De quebrar toda esta distância
Onde não te posso alcançar
A terra absorve-me, e o céu
Por mais infinito que seja, nunca fará parte de mim
E tu, meu anjo, voas nessas mesmas nuvens
Deixando-me só neste mundo para te ver desenhar as estrelas
Por entre o sol que te ilumina
Deixa-me acreditar que te consigo agarrar
Que consigo também voar
Nesse branco mar de harmonia
Sacrifica as tuas asas por mim
Serás mais do que anjo, serás deusa
Rainha de um oceano sem fim
Rainha de toda a tua pureza
Sei que me vês aí de cima, ínfimo
Mas não me deixas fugir ao teu olhar
E estendo a minha mão na esperança
De quebrar toda esta distância
Onde não te posso alcançar
A terra absorve-me, e o céu
Por mais infinito que seja, nunca fará parte de mim
E tu, meu anjo, voas nessas mesmas nuvens
Deixando-me só neste mundo para te ver desenhar as estrelas
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Paredes
Às vezes é como se não valesse a pena
É como se nem deitados nos sentíssemos seguros
Como se tudo fossem rasteiras e apuros
Como se nada fosse suficientemente dócil
Porquê?
Não era mais fácil ser sempre em frente
Negar o caminho não é direito de ninguém
Como se perto, o sonho fosse além
Além do mais esfomeado esforço
Não peço que seja de seda a estrada
Quero feridas nos pés, marcas de aquisições
Mas que o esforço valha mais do que nada
Que não sejam em vão os arranhões
Tudo são paredes
Quando do fracasso se é refém
Em teias e redes
Definições leves de aprisionamento
É como se nem deitados nos sentíssemos seguros
Como se tudo fossem rasteiras e apuros
Como se nada fosse suficientemente dócil
Porquê?
Não era mais fácil ser sempre em frente
Negar o caminho não é direito de ninguém
Como se perto, o sonho fosse além
Além do mais esfomeado esforço
Não peço que seja de seda a estrada
Quero feridas nos pés, marcas de aquisições
Mas que o esforço valha mais do que nada
Que não sejam em vão os arranhões
Tudo são paredes
Quando do fracasso se é refém
Em teias e redes
Definições leves de aprisionamento
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Onde se inventou a ironia
Onde é que se inventou a ironia?
Só pode ter sido em Portugal
Alguns falam bem e outros mal
Mas, cara a cara, somos todos amigos
Velhos do Restelo?
Já lá vão no tempo
Agora ninguém critica
Ninguém massacra!
Pelos menos frente a frente...
Não, não foi em Portugal
Que se inventou a ironia!
Temos jeito para mais...
...Hipocrisia?
Só pode ter sido em Portugal
Alguns falam bem e outros mal
Mas, cara a cara, somos todos amigos
Velhos do Restelo?
Já lá vão no tempo
Agora ninguém critica
Ninguém massacra!
Pelos menos frente a frente...
Não, não foi em Portugal
Que se inventou a ironia!
Temos jeito para mais...
...Hipocrisia?
Portugueses
Olha como todos pedalam
Pedalam com técnica
Com classe e jeito
Com gosto e esforço
Falam entre si
E é conversa de competição
Não é inveja, não!
Mas só me pergunto
Porque não saem do mesmo sítio...
Ai os Portugueses!
Pedalam com técnica
Com classe e jeito
Com gosto e esforço
Falam entre si
E é conversa de competição
Não é inveja, não!
Mas só me pergunto
Porque não saem do mesmo sítio...
Ai os Portugueses!
Esperança?
Vida é feita de esperas
Olhando para a frente, para trás
Esquerda, direita
Olhar para o nada e ver tudo
Quando tudo no nada existe
Sinceramente, esperar?
Sentar, ouvir
Crer, querer, acreditar
Desejar, iludir
Verdade seja dita
Que a esperança é vil
Lamacenta, prende o corpo
E lá vamos nós, navegando
A ver o risonho futuro
Mas é o nosso?
Não, não é o nosso
Não é, em carne e osso
Aquele que vemos
Crer, até queremos
Porém esticamos as mãos
Quase, mas não chegamos
Se eu amasse com cuidado,
Não me magoava tanto assim
Mas amar com cuidado não é amar
Então sofro so dentro de mim
Olhando para a frente, para trás
Esquerda, direita
Olhar para o nada e ver tudo
Quando tudo no nada existe
Sinceramente, esperar?
Sentar, ouvir
Crer, querer, acreditar
Desejar, iludir
Verdade seja dita
Que a esperança é vil
Lamacenta, prende o corpo
E lá vamos nós, navegando
A ver o risonho futuro
Mas é o nosso?
Não, não é o nosso
Não é, em carne e osso
Aquele que vemos
Crer, até queremos
Porém esticamos as mãos
Quase, mas não chegamos
Se eu amasse com cuidado,
Não me magoava tanto assim
Mas amar com cuidado não é amar
Então sofro so dentro de mim
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