sábado, 22 de outubro de 2011

Anjo

Faz chover sobre mim toda a tua perfeição
Por entre o sol que te ilumina
Deixa-me acreditar que te consigo agarrar
Que consigo também voar
Nesse branco mar de harmonia

Sacrifica as tuas asas por mim
Serás mais do que anjo, serás deusa
Rainha de um oceano sem fim
Rainha de toda a tua pureza

Sei que me vês aí de cima, ínfimo
Mas não me deixas fugir ao teu olhar
E estendo a minha mão na esperança
De quebrar toda esta distância
Onde não te posso alcançar

A terra absorve-me, e o céu
Por mais infinito que seja, nunca fará parte de mim
E tu, meu anjo, voas nessas mesmas nuvens
Deixando-me só neste mundo para te ver desenhar as estrelas

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Paredes

Às vezes é como se não valesse a pena
É como se nem deitados nos sentíssemos seguros
Como se tudo fossem rasteiras e apuros
Como se nada fosse suficientemente dócil

Porquê?
Não era mais fácil ser sempre em frente
Negar o caminho não é direito de ninguém
Como se perto, o sonho fosse além
Além do mais esfomeado esforço

Não peço que seja de seda a estrada
Quero feridas nos pés, marcas de aquisições
Mas que o esforço valha mais do que nada
Que não sejam em vão os arranhões

Tudo são paredes
Quando do fracasso se é refém
Em teias e redes
Definições leves de aprisionamento

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Onde se inventou a ironia

Onde é que se inventou a ironia?
Só pode ter sido em Portugal
Alguns falam bem e outros mal
Mas, cara a cara, somos todos amigos

Velhos do Restelo?
Já lá vão no tempo
Agora ninguém critica
Ninguém massacra!
Pelos menos frente a frente...

Não, não foi em Portugal
Que se inventou a ironia!
Temos jeito para mais...
...Hipocrisia?

Portugueses

Olha como todos pedalam
Pedalam com técnica
Com classe e jeito
Com gosto e esforço

Falam entre si
E é conversa de competição
Não é inveja, não!

Mas só me pergunto
Porque não saem do mesmo sítio...

Ai os Portugueses!

Esperança?

Vida é feita de esperas
Olhando para a frente, para trás
Esquerda, direita
Olhar para o nada e ver tudo
Quando tudo no nada existe

Sinceramente, esperar?
Sentar, ouvir
Crer, querer, acreditar
Desejar, iludir

Verdade seja dita
Que a esperança é vil
Lamacenta, prende o corpo
E lá vamos nós, navegando
A ver o risonho futuro
Mas é o nosso?

Não, não é o nosso
Não é, em carne e osso
Aquele que vemos
Crer, até queremos
Porém esticamos as mãos
Quase, mas não chegamos

Se eu amasse com cuidado,
Não me magoava tanto assim
Mas amar com cuidado não é amar
Então sofro so dentro de mim

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Perder...

Hoje sinto-me derrotado
Perdi, inútil e banal
Preso a um sentimento
Que corre as veias e queima o corpo

Porque tenho eu de sentir
Porque me bates por dentro, coração
Quando sabes que magoa essa paixão
Essa radiante força de acreditar
Que faz de mim cego

Se eu pudesse, perfurava-te
Para que jorrasses esse meu sentimento
Veneno que me apodrece o ser
Esse ser que se ajoelha ao espelho
Na imagem, vencido e sem chama

Sim, sou eu que me sento ao teu lado
Mas pouco mais consigo do que te olhar
Porque sei que és proibida
Que és a distância onde quero tocar
Resta-me, por fim, engolir o sonho
Sufoca-lo na minha alma
Antes que o sonho se torne em mim

Há quem fale de ledo engano
Eu, conheço-o de perto
Está em teus olhos, teu olhar
Teus, são infinitos quando penso neles
Sendo assim não posso te-los

Adeus, um simples adeus
Que ficará para sempre preso no tempo...
....E em mim

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sonho de Um País

Já não sobra sombra do passado
Quando passado está o velho tempo
Mancha o sangue, seco e podre
O espaço vazio onde morre o corpo
Alma presa, no monumento

Se nos meus olhos nascesse a chama
Quando o teu nome se faz ouvir
Talvez fosse o mar, não a lama
País que chora e já não canta
No tempo em que estás a ruir

O teu chão cheira a pura ruptura
Se te dissecasse agora, serias banal
Perdeste a força para te equilibrares
Na face fúnebre trazes amargura
No peito, um nome, Portugal...

sábado, 26 de março de 2011

Acreditar

Sopra um azul nas alturas
De um tom limpo e risonho
Vamos imaginar que o céu é o tempo
E cada nuvem é um sonho

Já que as nuvens se tocam
E os sonhos voam na imensidão
Sejam eles de sorte ou ambição
São tão leves que flutuam
Tão delicados que se misturam

Maior o sonho que formam
Que lá em cima anda
Criado, imaginado por nós
No céu, que é rio sem foz
É magistral e encanta

Vamos olhar o céu uma vez mais
Acreditando ter asas indomáveis
Que do chão arranquem os pés
Pois as nuvens são sonhos alcançáveis